segunda-feira, 18 de julho de 2011

Aperto em Londres.


Voltei pessoal, demorei mas voltei junto com meus sinceros pedidos de desculpas por estar impossibilitado de escrever no atual momento de adaptação e muito trabalho que vivo em solo escocês. Amanhã completarei uma semana como voluntário e hoje terei a primeira reunião da casa onde saberei quando serão minhas folgas e todos os pontos importantes de meu cotidiano, algo que seria ótimo, pois o trabalho está sendo bem cansativo.

Mas isso é assunto para mais tarde, agora tenho de vos falar de minha chegada em Londres, num belo dia de céu aberto e um ligeiro vento frio suficiente para forçar-me a esconder as mãos no bolso de meu casaco. Após o pequeno drama que tive por conta da pressão nos ouvidos, o avião continuou descendo e sobrevoando a bela capital inglesa, repleta de grandes casarões e edificações antigas, perdi as contas de quantos campos de golfe vi lá de cima, eram muitos, este momento passou ligeiro e a aeronave finalmente aterrisou em solo britânico, momento esse que me dei conta de que começaria definitivamente a falar inglês.

A nave parou e uma escada foi projetada na porta da frente para os passageiros descerem, lá em baixo um educado senhor funcionário do aeroporto recebia os passageiros com um ligeiro sorriso e muito respeito, vestia aqueles coletes amarelos reluzentes e tinha uma aparência bem inglesa, algo que não é comum no meio de tantos estrangeiros que costumamos ver no aeroporto de Londres. Tem quem diga que Londres tem gente de todo canto do mundo, menos da Inglaterra, vejam só!

Sai da pista dos aviões e segui o fluxo dos passageiros que aos poucos iam se dispersando e me deixando sobre as instruções das placas, essas segui solitariamente até um saguão da imigração (UK Border), vi as pessoas pegando umas pequenas fichas para preencher, peguei uma e coloquei meus dados, nome, de onde venho, pra onde vou, contato etc. Entrei na fila, coloquei minha mala no chão e fui empurrando ela com o pé até chegar minha vez, estava pesada e ficar carregando no o ombro ou mão seria bom para minha coluna.

Finalmente chega minha vez e me dirijo ao guichê oito, onde um homem aparentanto uns trinta e dois anos, olhos azuis e cabelo curto preto verifica meu passaporte e pra onde vou. Pergunta se vou pra Escócia, afirmo que sim e ele aponta para direita, onde eu deveria ir pra fazer conexão, agradeço e sigo o caminho. Atravesso um portalzinho equipado com computador mas desativado e sigo sem entender direito para onde deveria ir, mas se eu tinha passado pela verificação do passaporte o mais sucinto seria seguir até a sala de embarque. Neste momento olho para o relógio e falta cerca de uma hora e vinte para meu voo.

Caminho tranquilo e tiro algumas fotos sem me preocupar, até chegar na entrada da sala de embarque onde tenho que passar pelo detector de metais, remédios, mentiras, maus pensamentos e tudo que você pode imaginar, eles abrem sua mala de mão, vão tirando as coisas, examinando tudo, passando um detector lá dentro, fazendo perguntas, embalando o que está errado, jogando fora o que não pode e fazendo você esperar até ficar tudo ok. Finalmente passei por essa parte e fui caminhando acelerado, faltava cerca de 25 minutos para o horário de embarque (o embarque é meia hora antes do voo).

Passei por toda aquela área que parece mais um shopping de tantas lojas e fui entrando num corredor aqui, pedindo informação ali e finalmente chegando na fila onde verificam as passagens, nossa, a fila já estava gigante, esperei até minha vez assitindo uma família que teve que voltar para fazer alguma burocaria a mais, nesse momento eu esfriei, perguntas começaram a rondar a cabeça e o medo de ser barrado por faltar algo aumentou. Se eu fosse barrado teria que andar quilômetros de volta para resolver o que fosse, faltando cerca de 20 minutos para o embarque. Tinha que está tudo certinho, tudo estava na mão, ela só iria marcar a passagem e me desejar uma boa viagem, tudo correria bem e logo logo eu estaria voando para Edimburgo.

Passam-se alguns minutos e finalmente minha vez chega, sigo em direção à moça, dou minha passagem, ela verifica, para um tempo, faz uma cara estranha, meu coração acelera, ela olha pra mim e diz que eu preciso fazer algum tipo de cadastro a mais, algo sobre uma foto, olhei para o relógio faltando 15 minutos, lembrei do longo caminho que andei até chegar ali, bateu o desespero. Pedi para a moça explicar onde eu deveria ir e enquanto ela falava eu pensava num jeito de fazer tudo mais rápido e consertar a situação.

Porém não tive escolha, ao olhar ao meu redor, a ficha caiu, eu estava sozinho, ninguém me ajudaria, eu estava em Londres, aqui não existe “jeitinho”. Segurei minha mala com força, respirei fundo e parti em disparada por todo caminho de volta naquele momento que seria um dos mais desesperados de minha vida provinciana. Cada dez passos correndo era uma olhada no relógio, o tempo nunca foi tão curto, passava pelos corredores onde as pessoas me olhavam com desconforto, parava para pedir informações sempre que podia e finalmente cheguei no lugar onde tudo começou, lá no rapaz da imigração. Lembrei pra onde ele apontou e fui caminhando devagar tentando detectar meu erro.

Bingo! Havia uma fiscalização exclusiva para voos de conexão, um guichê solitário com uma mulçumana verificando vistos e fazendo perguntas, acelerei os passos e cheguei na fila, só uma pessoa em minha frente, eu estava angustiado, o tempo estava passando, eu ia perder o voo, finalmente chega minha vez e a moça faz perguntas sobre o que vou fazer, que tipo de trabalho é e até quando vou ficar, vou respondendo com falsa tranquilidade pensando comigo mesmo: “Vamo filhota, deixa eu passar, vamo, vamo, vamo”. Finalmente ela me libera, dou alguns passos até chegar num guichê onde tiro uma foto, pego minha mala e continuo a corrida desesperada.

Atravesso um grande corredor que daria direto à sala de embarque, quando chego ao final, um funcionário do aeroporto diz que não posso passar, tenho que pegar o caminho longo onde teria que fiscalizar minha bagagem mais uma vez. Esse funcionário já tinha me ajudado uma vez antes, achei que ele poderia liberar, expliquei que já tinha passado pela fiscalização da bagagem e estava atrasado, mas não teve jeito, fui obrigado a voltar todo corredor. O corredor tinha uma lateral de vidro através do qual se podia ver as pessoas lá em baixo, notei que muitas olhavam pra mim com curiosidade, principalmente as crianças. Faltavam 5 minutos!

Corri, corri, corri, neste momento já estava molhado de suor, com as pernas quase cedendo, afinal de contas já estava bem cansado das duas viagens anteriores mal dormidas e mal alimentadas. Finalmente chego à fiscalização da bagagem, já sei tudo que tenho que fazer, tiro tudo, ajeito o computador, abro a mala, passo rápido e tenho que ficar esperando alguns minutos para os alegres funcionários olharem cada cantinho da minha bagagem. Todo mundo feliz, brincando, falando de futebol e decidindo quem vai olhar a malinha do brasileiro. E eu lá quase tendo um infarto prestes a ficar a deriva em Londres, até que um homem, provavelmente indiano, vem fazer o trabalho com muita calma, tirando absolutamente tudo da minha mala e ajeitando pacientemente tudo que já tava ajeitado desde a primeira vez eu estava ali. Quando ele terminou nem se quer fechei, peguei a mala aberta com tudo bolando dentro e continuei a missão, o tempo já tinha passado em 8 minutos, eu estava totalmente atrasado num país onde a pontualidade é um dos pontos mais marcantes.

Nesse momento as pessoas já estavam abrindo alas pra mim, parecia até que todo mundo conhecia o doido que estava correndo por todo aeroporto, eu já estava vendo a hora de alguém aparecer com um isopor e jogar um gatorade gritando: “Vai láá Lééo! Estamos com você, força! Não desista!”. Depois de muitos “excuse me” and “sorry”, finalmente cheguei falando aliviado pra moça da passagem: “On time...”. Ela olhou com um sorriso no canto da boca como quem diz: “Legal, o que eu tenho a ver com isso?”. Olhei pra fila e agradeci quem me deu licença, eu estava amando tudo e a todos, consegui, consegui.

Entrei na fila, entreguei minha passagem e caminhei vitorioso no túnel que dava ao avião, era só um túnel branco e sem graça, mas isso era o que meus olhos viam, pois meu espírito estava vendo um grande portal de realização e missão cumprida, pelo menos até ali. Eu estava exausto, caminhava cambaleando levemente para o lado, mas carregava um sorriso de pura alegria na boca. Só agradecia a Deus, que alívio, finalmente eu estava embarcando, sentei na poltrona e deixei meu corpo descansar e aproveitar o sabor do dever cumprido. Próxima parada, Scotland!

video

4 comentários:

  1. Adorei a parte do Gatorade! hahaha.. que sufoco, mas é nessas que a gente se prepara e bota o inglês a teste! agora o resto é fichinha e ainda bem que deu certo :)

    ResponderExcluir
  2. Nossa, da um alivio quando voce entra no coredor para entrar no aviao néé? Passei mais ou menos por isso também Léo, meu deus, de Chicago para NY. Cheguei pra embarcar correndoo, perdida e já tava todo mundo dentro do avião so faltava eu! Nossa, que sufoco! Mas no final deu tudo certo, tanto pra mim, quanto pra voce, graças! \o hauauia

    ResponderExcluir
  3. Ah, reabri o blog! O endereço ainda não decidi, mas o link ta no meu perfil aqui do google... da uma olhada depois :)

    ResponderExcluir
  4. Ei legal demais rs..
    me descupa não ter dado uma olhadinha no seu blog antes... mais agora estou com um bom tempo para explorar tudo por aki :)

    Seguindo vc AGORA

    Grande Bjuss

    ResponderExcluir

Liberdade com responsabilidade nos comentários.