sábado, 31 de dezembro de 2011

Aberdeen, a Capital dos Camphills.

Entrada do Cemitério na Avenida Principal.
Aberdeen é uma cidade localizada no nordeste da Escócia, a terceira mais populosa do país, dona de uma praia bacana e congelante a maior parte do ano, um grande porto e uma movimentada universidade (University of Aberdeen). Além disso é possível batizá-la de sede dos Camphills, pois foi lá onde o movimento começou e se espalhou por todo mundo, vários deles estão lá, inclusive o primeiro Camphill que apliquei antes de Corbenic foi Simeon, um lugar que abriga idosos, não fui aceito pois no mesmo ano eles aumentaram a idade mínima dos Co-workers para 21 anos, o que foi muito bom, pois Corbenic é um lugar fantástico e acho que está enriquecendo bastante minha vida.


139 km separam Perth de Aberdeen.
Para chegar em Aberdeen saímos de Corbenic de manhã em direção à rodoviária de Perth, é o ponto de partida de qualquer viagem de ônibus. O time da vez era eu, Zé (brasileiro), Julia, Lilith e Theresa, todas alemãs. De Perth até Aberdeen são aproximadamente duas horas de estrada, com uma parada em Dundee totalmente fora de mão, mas até que passou rápido com a ajuda de uma musiquinha no iPod. Viajar aqui é bem tranquilo, trem ou ônibus, raramente você vai ter algum momento de tensão, eu pelo menos nunca tive, principalmente em trem, é tão tranquilo e suave que você nem sente a viagem toda, chega sempre rápido.

Chegamos em Aberdeen perto da hora do almoço, a rodoviária da cidade é sensacional, porque não é só rodoviária, é também estação de trem e um mega shopping center bem no coração da cidade. Acho isso fantástico, a maioria das estações da Escócia, principalmente de trem, são bem no centro das cidades, ou seja, quando você chega não precisa ir atrás de táxi ou ônibus desesperado, você apenas sai da estação e já está na rua ou na praça principal, vendo um monte de pontos turísticos de uma vez só.


Union Square, nosso local de desembarque.
Uma estação de trem e ônibus que ao mesmo tempo é shopping center pode ser uma grande vantagem, mas não quando você está viajando com três mulheres, definitivamente, eu e Zé ficamos esperando um pouco mais que uma horinha até as três terminarem de explorar cada detalhe da mega loja de roupa que não lembro o nome. Além disso sempre rola aquele momento de crítico de moda onde a sua namorada fica perguntando qual peça é melhor e você sempre diz: “Esse é perfeito”, “Esse é ótimo”, “Nossa, você tá maravilhosa, paga e vamos embora”.

Fim de compras e reunião para saber qual seria a próxima parada, a decisão foi ficar no shopping pois todos estavam com fome e queriam almoçar. Os restaurantes do shopping estavam lotados e todos tinham fila de espera de pelo menos vinte minutos. Reservamos os lugares em um e lá estava eu de novo seguindo mulher fazendo compra, ô benção. Depois dos 20 minutos na farmácia, voltamos para o restaurante escolhido pelo público por conter algumas promoções enganadoras na fachada, quando na realidade a comida era cara e vinha tão pouco no prato que sai de lá mais triste que argentino depois de jogo contra o Brasil.

Avenida Principal da Cidade.
Dica de hoje: Quando você estiver no exterior e tiver em dúvida de que lugar comer, nem sempre arriscar é a coisa certa, você pode gastar muito e comer pouco. Corra para a pizzaria mais próxima! Sempre funciona. Mas não nego que quando você arrisca também há chances de comer um prato novo e delicioso por um ótimo preço, por isso informação é sempre fundamental antes de uma viagem.

Comemos e eu gastei 11 pounds num prato mixuruca de macarrão com um suquinho de maça que tava mais pra água que para suco. Depois da decepção, finalmente saímos do infernal shopping center, desculpa quem gosta, mas shopping para mim é entrar, comprar e ir embora o mais rápido possível. Pegamos a avenida principal da cidade e começamos a caminhar, senti algo estranho com tanta gente num mesmo lugar, viver muito tempo na roça faz com que a cidade te deixe um pouco ébrio de informação, agora eu entendo porque o caipira quer sair correndo de volta pro interior quando chega na cidade, deve ser meio assustador mesmo.

The West Tower.
O visual de Aberdeen é bem mesclado entre velhas e novas arquiteturas, algo que chama atenção é a tonalidade de cor da cidade, muito mais clara que o normal entre os outros centros urbanos da Escócia. Creio que é algo que eles estão tentando fazer, pois percebi alguns prédios restaurados com cores claras, bem bonito por sinal, algo que sai da mesmice escura e cinza do país. A avenida principal é bem movimentada, bastante gente circulando nas calçadas e grande fluxo de carros e ônibus.

Seguimos caminhando aproveitando as paisagens da cidade e perguntei onde as meninas queriam ir, nenhuma surpresa, queriam ir à praia, ver o mar, algo absurdamente interessante para mim que morei a vida toda em Fortaleza. E então continuei, cansado de tanto bater perna e aguentando o vento frio de lascar. A praia extremamente sem graça, escura, fria, cinzenta e deserta. Chegar a ser bizarro as européias todas felizes por estarem vendo o mar, isso me faz refletir um pouco, acho que tenho que dar mais valor às prainhas que tenho no Ceará.



Parte da Universidade.
Deixamos a praia, passamos no super-mercado, compramos pizzas e fomos para o ponto de ônibus, iriamos para o Camphill School Aberdeen, onde passariamos a noite e eu finalmente conheceria Monise, a brasileira que acompanhei pela internet durante mais de um ano antes de me aventurar neste viagem, ela me ajudou bastante descrevendo o estilo de vida do Camphill e todos os desafios que um co-worker brasileiro poderia enfrentar. Além disso também fomos recebidos por Rodrigo, outro brasileiro que nos acomodou com excelência.

Um fato que marcou um pouco esta viagem foi quando estávamos esperando o ônibus na avenida principal, aqui a parada de ônibus é virada para o lado oposto das paradas do Brasil, ou seja, você senta e fica de frente para as edificações, não para a rua. Eu estava sentado e minha carteira caiu bem na divisória entre a calçada e a rua, num lugar que praticamente ninguém a veria, e eu distraído, conversando e me divertindo com os outros nunca perceberia que não estava com ela. De repente um casal de velhinhos surge com uma carteira na mão, a senhora perguntou se era minha e quase não acreditei quando vi que não estava no meu bolso, ou seja, minha carteira com quase todo meu dinheiro, vários documentos e cartão de débito estava no chão da avenida principal da cidade por longos minutos em que qualquer um poderia ter pegado e continuado andando tranquilamente.


Universidade.
Ela me entregou a carteira e eu falei todo o meu vocabulário de agradecimento em inglês, isso até deixou a velhinha um pouco desconcertada. Isso me fez refletir por alguns minutos o quanto é bom estar em um lugar de pessoas honestas, como é boa a atmosfera de fraternidade e respeito ao próximo. Até hoje estou agradecendo a ela por este gesto de honestidade. Não é querendo ser pessimista sobre o meu país, mas se fosse no Brasil, com certeza as chances de isso acontecer seriam minúsculas.

Pegamos o ônibus e fomos para o Camphill, uma estrutura de encher os olhos, várias casas, sinalizações, mapa na entrada, algo que nem se compara ao meu Camphill Rural, mas cada um com suas vantagens. Foi lá que eu realmente senti a força do movimento Camphill, senti o quão é nobre a ação deste movimento na sociedade, e o quanto é importante para as pessoas com necessidades especiais desenvolverem suas habilidades de forma saudável e terapêutica. Chegamos, comemos as pizzas e Rodrigo nos mostrou os quartos que ficariamos. Eu e minha namorada num quarto no primeiro piso da casa, as duas alemãs no quarto de um residente que estava fora durante o final de semana e Zé no mesmo quarto que Rodrigo.


Curtindo o calorzão na praia.
De noite fomos para uma balada no centro da cidade, a boate era bem interessante, simplesmente porque era uma IGREJA, é isso ai, balada na igreja, imagina só, do lado de fora um prédio centenário e do lado de dentro uma boate de primeiro mundo cheio de pessoas embriagadas “dançando”. Lá dentro é aquele mesmo negócio de sempre, pra mim balada é que nem shopping, sempre igual, gente fazendo movimento estranho achando que tá dançando, nego vomitando no canto da parede, menina constrangida porque alguém passou a mão nela e um bêbado sem noção olhando para sua namorada fazendo cara de mal. É sempre a mesma coisa.

Saímos da balada e fomos até o ponto de ônibus, durante o caminho uma atmosfera bem pesada, você só percebe como é triste o fim de uma noite quando permanece sóbrio para assistir os pobres indivíduos totalmente fora de si após horas de porre e descontrole emocional. Neste momento eu estava torcendo para chegar logo ao clima harmonioso do Camphill. Chegamos e fomos para a cama, estava encerrado o dia em Aberdeen, na manhã seguinte pegamos o carro e fomos para outro destino que você conhecerá em breve através deste site.


Os companheiros de viagem.
Árvore de Natal na Praça Principal.
Cidade já preparada para as celebrações de Natal.
Ruas do Camphill.
Mapa de Localização na entrada.
St. Christopher, a casa que ficamos.
Um dos corredores da casa, pela decoração nota-se a predominância de co-workers.
Dando um passeio pela comunidade.
Diversas casas da comunidade Camphill ao fundo.
Visão externa de uma das casas.
Um lugar tranquilo e propício para o desenvolvimento humano.
Placa indicando a localização da piscina e academia, só para matar os caipiras de inveja.
Mais visão externa da comunidade.

Um comentário:

  1. Texto fantástico Leonardo, não vejo a hora, de completar idade, e poder me escrever no Camphills também, meu sonho sempre foi conhecer a escócia, mas morar, e trabalhar por uma causa nobre pode ser mais fantástico ainda. O semelhança entre nós é fantásticas rs, porquê, antes de ir, quero fazer minha tão sonhada faculdade de jornalismo, mas como tenho apenas 16 anos, falta um tempinho ainda.
    Meu facebook é http://www.facebook.com/profile.php?id=100002142536506

    Abraço.

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