sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Renovação.

Após vários meses de paralisação devido à expiração do domínio do blog e uma longa demora para que este serviço fosse renovado, finalmente o Código Cinza está de volta. Pedimos desculpas aos leitores que não foram informados sobre o que tinha acontecido, mas nada como reiniciar o blog numa época de reinício, 2013 está vindo e este ano promete ser um período marcante na história da humanidade devido às crises econômicas e às mudanças de comportamento de nossa sociedade.

O blog ainda precisa de alguns reajustes e atualizações para que esteja pronto a receber novos posts, desejamos a todos que estão lendo esta mensagem uma grande virada de ano, que contagie nossas decisões e nos conduzam pelo caminho mais iluminado que nos é oferecido. Neste ano novo o Código Cinza deseja a você um coração cheio de paz e coragem para lidar com o que está por vir. Continue conosco e nos visite sempre que possível, é um prazer ter você aqui compartilhando nossos pensamentos e ideais. Feliz 2013!



terça-feira, 10 de julho de 2012

O Tripé da Qualidade de Vida.

Diariamente somos bombardeados de informações sobre o que promove uma qualidade de vida real e estável, são revistas, telejornais, documentários, jornais e todos os tipos de meios de comunicação explorando o tema. Realmente este é um assunto popular e muito atual, faz parte de um movimento humano para o início de novos dias sem doenças, estresse, tristeza e por uma incansável procura de paz e bem-estar. Hoje falaremos então das três grandes bases da qualidade de vida, fortes alicerces que oferecem ao ser humano um terreno seguro para construir sua vida em tranquilidade.

A primeira base deste tripé é a alimentação. Esta base condiz diretamente com o estilo de vida que você quer levar, não só isso, como também fala muito de sua personalidade. Há até quem diga que “você é o que você come”, e isso pode ser até verdadeiro. A importância da alimentação na qualidade de vida é algo notável que pode ser percebida facilmente ao comparar uma pessoa que consome alimentos frescos e naturais, ricos em frutas, verduras, grãos etc, com uma acostumada aos tão queridos industrializados, como refrigerantes, salgadinhos, enlatados e todos aqueles com alto teor de artificialidade e química de conservação.

Na comunidade em que vivi na Escócia, praticamente 100% da alimentação era orgânica e produtos industrializados eram evitados, só tendo espaço quando realmente necessários. Era notável a saúde e a vitalidade das pessoas. Não quero responsabilizar a alimentação por isso, mas eu tenho certeza que ela é uma das principais causas desse bem-estar, logicamente, pois não é à toa que eles iriam se preocupar tanto com o que é ingerido naquele lugar, principalmente pelas pessoas com deficiência. Ser vegetariano e ter uma reeducação alimentar também é de grande ajuda neste processo de aumento da qualidade de vida.

A segunda base é atividade física, isso não precisa nem falar, pois se um dia pensarmos numa imagem da qualidade de vida, veremos alguém praticando um esporte, apesar de o assunto ser algo bem mais abrangente. Colocar o corpo para trabalhar ao limite de vez em quando faz muito bem ao sistema biológico e promove um bem-estar indescritível, além é claro da sensação psicológica de auto-estima. Os resultados adquiridos com a pratica de um esporte são reais e muito eficientes, seria até perda de tempo falar sobre isso, tendo em vista que a cultura do esporte é tão disseminada em nosso país de forma benéfica. Somos brasileiros, temos famas de bom condicionamento físico, seriamos até uma grande potência olímpica se o governo resolvesse investir nesta área, porém ainda há muito em que se investir primeiro.

E para fechar, eu não poderia esquecer da base mais importante, aquela que talvez seja a mais necessária em nosso planeta no momento, o exercício intelectual. Algo que é sempre deixado para segundo plano em meio a uma vida tão cheia de problemas, problemas que em alguns momentos poderiam ser encarados bem melhor com a ajuda de um desenvolvimento intelectual apropriado, uma leitura, um estudo, uma meditação ou qualquer coisa que exercite a mente. Aprender, tentar, reconhecer o erro, tentar de novo, é isso que move ao ser humano ao progresso, essa luta pelo avanço, pela solução dos problemas, pela absorção de conhecimento.

Mas o fator mais impressionante é que o exercício intelectual não só desenvolve a inteligência como também auxilia muito bem na saúde e na qualidade de vida, ora, não me diga que você nunca viu um daqueles velhinhos que parecem só estarem vivos porque ainda tentam usar o cerébro, por mais que estejam velhos e fracos, parece que a longevidade é um prêmio para uma vida de alta atividade mental. Sem sombra de dúvidas, ser sábio é uma ferramenta poderosa para promover a qualidade de vida, pois é esta sabedoria que auxiliará qualquer problema pessoal durante esta passagem na Terra. Por isso não se esqueça de ler, debater, conhecer coisas novas, viajar, abrir a cabeça e abraçar cada detalhe ao seu redor, pois isso lhe preencherá e lhe transformará numa pessoa rica e cheia de luz.

Portanto este é o tripé da qualidade de vida: alimentação, atividade física e exercício intelectual. Se focarmos nessas três bases e planejarmos uma vida que não esqueça de nenhuma, é garantido um sucesso e um bem-estar que não faria ninguém voltar atrás. Vale lembrar que estes três estão fortemente conectados, e que se um estiver fraco, os outros dois não terão apoio suficiente para se manter em pé, deve haver um equilíbrio e igual atenção a todos. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Vida em Comunidade.

Padaria da comunidade, produção diária 100% orgânica.
Antes de falar sobre vida em comunidade, gostaria de falar sobre a vida usual que eu tinha (e teoricamente ainda tenho) no Brasil. Morava com minha família num bom apartamento no bairro do Meireles em Fortaleza, eu, meus pais e minha irmã que há alguns anos também deixou o Brasil, deixando nosso lar mais vazio. Morando num centro urbano, nunca falta nada, a vida é relativamente boa e nos dá até a impressão de que somos felizes. Vivemos rodeados de pessoas, de informação, de movimentação, sentimo-nos como altamente civilizados e envolvidos no mundo e na sociedade.

Porém algo sempre me incomodou neste estilo de vida, pois sempre senti um vazio e um deslocamento, como se ali não fosse o meu lugar, algo que sempre me inspirou a viajar e conhecer as opções que eu poderia ter para minha vida mundo a fora. Em meu lar, apesar de viver em harmonia com minha família, algo estava faltando, havia algo preso naquele cotidiano, sentia-me confuso, procurando descobrir porque todos se adaptavam tão bem às suas respectivas vidas e eu nunca conseguia me sentir estável.

Foi então que decidi experimentar a vida em comunidade, morando na Escócia, numa comunidade para deficientes mentais. Um lugar adorável entre as montanhas, adormecido num majestoso vale, banhado por um rio de águas geladas que penetram em meu quarto com o pacífico barulho da corrente incessante. Aqui a natureza é tão imponente, que este jovem da cidade não consegue nem lembrar com precisão a paisagem urbana. Aqui a vida é tão bonita e radiante que a palavra estresse continua sem sentido mesmo com qualquer professor Phd tentando explicar seu significado.

Trabalho em Madeira, workshop terapêutico.
Corbenic, onde moro, é uma comunidade dividida em 5 casas, Lochran, Mullach, Lindisfarne (minha casa), Cottage e Turach. Cada uma possui cerca de 8 a 10 pessoas, incluindo residentes e voluntários não-fixos (eu sou um deles). Minha casa possui 6 residentes (deficientes mentais) e 4 voluntários, além de coordenadores e outros empregados que não moram na casa fixamente. Imagine você, em pleno ano 2012, morando numa casa de 10 pessoas, talvez os seus avós saberão como é isso, já que na geração deles, isso seria mais normal.

Tente imaginar esta situação, eu suponho que mesmo com muita força de vontade, você não consiga ter ideia de como rica e movimentada seria a sua vida, principalmente porque grande parte da casa seria dependente a você, como você foi um dia das pessoas que te criaram desde a infância. Morar em comunidade é simplesmente preenchedor, e depois desta experiência você se pergunta como os seres humanos estão conseguindo viver cada dia mais isolados um do outro, se isolando na sociedade e até entre suas próprias famílias, trancando suas portas para seus semelhantes, sem muito amor restante, sobrevivendo sem brilho e sem respostas.

A cada dia que passa neste lugar, onde cerca de 60 pessoas vivem e outras dezenas circulam voluntario ou profissionalmente, eu concluo mais sobre a reflexão a respeito da natureza humana, do estilo de vida que deviamos seguir, enxergo que este período que vivemos, onde as famílias se isolam com medo uma das outras, é só uma pequena fase de rebeldia da humanidade, que logo logo reconhecerá sua real origem e se juntará como uma grande rede de paz, amor e fraternidade, onde o espírito comuntário reinará, e a felicidade se espalhará no coração de cada ser deste planeta.

Viver em comunidade é utópico e prazeroso, é criar laços fraternais, é assumir uma identidade real, é crescer incessantemente e reconhecer que não somos nada sozinhos. Somos como as células deste planeta, e só entraremos em harmonia quando trabalharmos juntos para a manutenção de todo o corpo. Uma grande lição levarei deste lugar e gostaria de mostrar para toda a humanidade, não somos nada sozinhos, absolutamente nada, se não abrimos nossos corações para nossos semelhantes, seremos apenas rebeldes nadando contra a corrente do progresso.

Reflita sobre o que o sistema está fazendo conosco, destruindo nossos laços e impondo uma ideologia de individualismo e competição, premiando aqueles que rebaixam os outros, mantendo hierarquias tiranas, maltratando a dignidade humana com a obsessão doentia pelo lucro, é este o mundo que queremos viver? Existem possibilidades muito mais compatíveis com nosso nível de evolução, não fechemos os olhos para o que acontece neste exato momento no planeta Terra, lutemos por uma nova era de união e progresso.

Voluntários de várias partes do mundo, Yuko (Japão) e Theresa (Áustria).

Separação do lixo para reciclagem, colaboração coletiva.
Cottage, uma das casas de Corbenic.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Um Novo Mundo.

Eu gostaria de um novo mundo, gostaria de ser livre, livre da hipocrisia, da sedução material, do capitalismo tirano, da futilidade diária. Eu gostaria de ir e vir sem mostrar documentos, sem dizer o porquê de estar aqui e quando vou sair, quero um mundo sem fronteiras, sem burocracia, sem preenchimento de formulários. Por que tanto controle? Por que tanto medo? Por que tanta guerra? Por que tanta desigualdade? Por que tanta racionalidade e conformação? Vamos sonhar! Vamos ser utópicos, vamos mudar tudo, vamos enxerguer o tamanho de nossas riquezas, a fartura de nosso planeta, vamos compartilhar, vamos espalhar dignidade para cada ser humano!

Chega dessa corrida doentia pelo sucesso profissional, do vazio da carteira cheia, da ilusão material, vamos libertar nossos espíritos, abraçar-nos, trabalhar em conjunto e servir o conjunto. Vamos parar com esse egoísmo, vamos parar de procurar atalhos falsos de bem-estar. Nós somos um, somos a humanidade, somos coletivo e nunca seremos felizes enquanto o único ser humano estiver sofrendo. Vamos fazer deste planeta o paraíso, livre, totalmente livre, aberto, a serviço de todos! Vamos colocar a ciência para trabalhar, pois ela é o caminho para as soluções materiais deste orbe.

Será que não conseguimos enxergar o tamanho de nosso potencial? O tamanho de nossa inteligência e a beleza de nossos espíritos? Por que continuar entregando nossos corpos aos vícios sem razão? Por que continuar rebaixando o outro para prazeres passageiros e medíocres? Por que entregar o poder a poucos homens? Para que serve o estado, a polícia, as alfândegas, as leis? Será que precisamos mesmo disso? Será que precisamos de controle? O que somos? Bárbaros? Criminosos? Escravos?! Sim, talvez escravos, somos escravos de um sistema que favorece o lucro desmedido de poucos, a ganância primitiva, o falso crescimento, o falso progresso, devastador de natureza e explorador de oprimidos.

Amigos humanos, acordem, vamos nos dedicar à ciência, às artes, à saúde e a qualidade de vida, não percam tempo fazendo algo que máquinas poderiam fazer, está na hora de abrir os olhos e enxergar o novo mundo em que podemos viver. É tudo muito simples, temos o poder, basta acreditar, vamos reconstruir nossa civilização, chega de pessimismo, a mudança está em nossas mãos. A vida que estamos vivendo, mesmo aqueles que possuem equilíbrio financeiro, não é a vida que vai nos aproximar da felicidade, pelo contrário, não paramos de caminhar no sentido oposto, ficando mais sozinhos, subestimando mais o próximo, enfraquecendo nossos laços de solidariedade. Este comportamento não condiz com nossa magnífica natureza!

Queremos um novo planeta, totalmente livre, em harmonia com a natureza, com o progresso tecno-científico, com a elevação moral do homem, com a expansão do amor, da paz, da solidariedade e do espírito de comunidade. Vamos transformar nosso globo em uma grande rede, uma rede fortemente conectada, sem cores, raças, discriminação. Vamos garantir que todos tenham acesso a uma vida digna, rica e radiante. Chega de lágrimas, de dor, de sangue jorrado em vão, deixemos a luz do sol entrar em nossas vidas, para que acabe a escuridão, o terror a a angústia, para que tenhamos, finalmente, liberdade e prazer de viver.

O documentário abaixo mostra um pouco sobre o novo mundo em que vamos viver, não esqueça de acionar a legenda em Português no botão “cc”. Aproveite, admire, sonhe, acredite!­


domingo, 29 de janeiro de 2012

Arte no Sangue.

Depois de um longo vôo de nove horas em direção ao velho continente, cansada e com uma mala cuidadosamente preparada para enfrentar o mês que estava por vir, os meus primeiros passos em solo europeu, na verdade, aconteceram no subsolo do metrô de Madrid. Depois de entrar em um vagão errado e, por fim, aprender na marra a desvendar o metrô espanhol, finalmente chego à estação de destino, já exausta pela longa viagem e pelo peso da mala. Ao subir os primeiros degraus em direção à cidade, deixando para trás a estação, tudo me arrebatou de uma só vez - o frio, a ansiedade, a expectativa, o barulho de pessoas, a movimentação dos carros e a música. Sim, a música!

Uma música viva e alegre, servindo de trilha sonora para os passantes e dando novas cores aos meus primeiros minutos de viagem. A melodia vinha de uma banda de rua, composta por saxofones, trompetes, pandeiro, violoncelo, bateria, enfim, vários instrumentos afinados em um só tom, à espera de algumas poucas moedas. Me senti protagonizando uma cena de filme, onde aquela música era o presente de Madrid para mim, para me receber. Foi uma cena inesquecível.

Ao longo do mês descobri que essa situação era extremamente comum nas grandes cidades européias. Em bandas, em duplas, solitários, quer seja com uma simples flauta ou com violinos, dentro do metrô, em frente a lojas de luxo, ao lado do rio, em cima da ponte, no meio da calçada... qualquer hora é hora de música. Os estilos variavam desde a música eletrônica, passando por coldplay e chegando até a música clássica. Percebi que esse hábito está no coração do europeu. Andar nas ruas ganha outra sensação, os prédios cinzas ganham novas cores e um dia ruim ganha novos rumos, não só pela música mas também pela arte de rua.

Lá a pichação e o grafite viram arte, transformando as paredes e muros em telas brancas que são preenchidas de formas muitas vezes engraçadas, servindo como protestos, brincadeiras irônicas e até mensagens irreverentes. Tudo sem perder o tom artístico. Banksy, artista de rua famoso nas ruas londrinas pelos seus desenhos irreverentes e sarcásticos, cheios de significado nas entrelinhas, é um ótimo exemplo do que podemos encontrar ao andar com atenção pelas ruas da cidade.

A arte, entretanto, não para apenas nas ruas. Na verdade, lá ela apenas começa. O principal está dentro das paredes dos museus, presentes na maioria das grandes capitais. É comum observar excursões escolares, até mesmo para os mais pequenos, para visitar obras de pintores como Van Gogh, Picasso, Matisse, Modigliani, Salvador Dalí, Leonardo da Vinci, Miró e muitos outros nomes inclusive de arte moderna, que não me agrada tanto, mas que também conquistou o seu espaço por lá. Nas alas dos museus sempre há estudantes de desenho com os seus cadernos de rabiscos em busca de inspirações entre as esculturas e obras de arte, geralmente sentados desenhando por horas a fio. Em muitos países, os residentes europeus têm direito a entrada franca ou a passes mensais com custo reduzido aos museus que não são gratuitos.

Em Londres, onde a maioria dos museus não cobra ingresso, contando apenas com a doação voluntária dos visitantes, é possível inclusive pesquisar mais sobre as suas obras preferidas - há cartões magnéticos à disposição dos visitantes que, quando passados em frente aos leitores de cartão ao lado de cada obra, colectam os dados do quadro selecionado. Em casa, com o cartão em mãos, basta entrar no site do museu e digitar o número de série do seu cartão para ter acesso a mais informações a respeito de sua obra. E o melhor: tudo é grátis, desde a entrada ao museu até o login no site.

Uma das melhores partes, entretanto, está na saída dos museus. Nas lojas, ao fim da visita, ou mesmo nas mãos de vendedores ambulantes nas proximidades dos museus, é possível comprar reproduções e releituras de quadros famosos a preços acessíveis, inclusive para trazer para casa como souvenirs. As ruas se transformam em verdadeiras mostras de arte, cada pintor com o seu trabalho, uma obra mais criativa que a outra, quer seja a tinta ou a lápis, é possível ver a arte se manifestando nas suas variadas formas. É difícil não se deixar levar.

Sem desmerecer a arte brasileira, que também é sensacional e sem dúvidas tem o seu valor, por mais que ainda tenha que conquistar o seu espaço, mas a minha viagem ao velho continente foi uma surpresa agradável nesse sentido. Não é difícil entender porque grande parte das tendências de arte, música e moda surgem todas de lá, onde a arte corre no sangue e o clima se espalha pelo ar. O amor a arte só cresce quando cultivado, em qualquer parte do mundo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Big Balela Brasil.

Chega de falar que o Big Brother é um atraso, um flagelo da televisão brasileira, que falta conteúdo e dá vergonha só de passar o olho. Assiste quem quer, é só entretenimento, ser inimigo do programa não te fará ser mais inteligente, culto ou intelectual. É até interessante assistir o comportamento humano por alguns meses “trancafiado” dentro de uma casa, pelo menos assistimos a realidade e como as pessoas são, afinal é um Reality Show, são pessoas normais, escolhidas através de vídeos humildemente gravados em suas casas e enviados ao Rio de Janeiro, para as mãos de pessoas especiais, justas e sábias, que saberão honrar aqueles que realmente merecem estar ali.

Para falar a verdade não entendo o porquê das pessoas estarem se rebelando com o programa. Eles podem mudar de canal a qualquer momento, bloquear as pessoas que comentam nas redes sociais, ou até se ausentar da roda de conversa da escola, faculdade ou trabalho. É uma opção! Gosta, assiste, não gosta, ignora e procura o que fazer, simples! Você pensa assim? Se você concorda com as palavras acima, sinto informar que está ligeiramente enganado, pois esses argumentos foram criados pitorescamente pelo público do programa para tentar aliviar o peso de assistir uma das maiores vergonhas da comunicação brasileira de que tenho conhecimento.

O Big Brother Brasil é o reflexo de uma sociedade capitalista selvagem controlada por mãos marotas prontas para seduzir de todas as maneiras o carente público com suas apelações sexuais e otimização dos desvios de caráter do ser humano.  O mais baixo nível de relações e comportamentos do homem ocultado por uma moderna casa, roupas legais, corpos tonificados e sorrisos metodicamente planejados, um mundo de aparências que destrói a mentalidade da juventude brasileira, principalmente dos adolescentes, que procuram exemplos de como devem ser, e não podemos negar o poder da televisão nesta formação.

Muito me admira a revolta dos fiéis ao BBB quando defendendo o Reality Show frente às críticas daqueles que enxergam a maleficência do programa. Agora ser inimigo desta lástima se tornou vontade de ser intelectual, ou seja, não gosto de BBB porque sou inteligente demais para isso. Amigos, as pessoas que rejeitam e são contra o programa, não são intelectuais, cultos ou algo do tipo, são pessoas, pessoas normais, e hoje em dia pessoas normais já sabem diferenciar o bom do ridículo. Não pensem que os inimigos do BBB são uma minoria radical e cabeça dura, pois não me admiro se esta vergonha já esteja começando a incomodar o maior dos ignorantes e sem instrução deste país. Faz parte do instinto natural do ser humano, educado ou não, perceber a mediocridade do que está passando na sua televisão.

Aqueles outros que dizem que é só mudar de canal, fazem-se indiferentes ao poder da TV Globo dentre a população brasileira, não percebem que em alguns lares este é o único canal disponível, como também a única fonte de cultura e entretenimento. Para milhares de brasileiros, a hora do BBB é a única livre do dia, a única hora em que eles podem absorver um pouco de arte, cultura, conhecimento, após um longo e sofrido dia de trabalho. E o que o canal rei da comunicação brasileira oferece? Festinhas banhadas a álcool, intrigas infantis, insinuações sexuais, desequilíbrio psicológico, comportamentos maquiavélicos visando o prêmio milionário, entre outros pontos que só nos traz lamentação a cada novo episódio.

O BBB é um grande circo, um espetáculo de apelações planejado para capturar a sua audiência sem o mínimo de bom senso ou qualificação moral, um mundo de pequenice invadindo as casas dos brasileiros. Enquanto isso os programas ricos e interessantes como “Programa do Jô” e “Altas Horas”, são jogados madrugada a fora longe do alcance da população. Está na hora de reerguemos e almejarmos algo de qualidade, algo enriquecedor para nossas noites. E talvez não, talvez não saibamos definir o que é realmente algo de qualidade, porém uma coisa é certa meus amigos, de todas as definições de “qualidade” que você pode encontrar, todas serão o oposto do Big Brother Brasil. Brasileiro, pelo avanço do seu país, fique longe desta desgraça.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Fortal, a Caverna de Platão.


Em meio à época de férias e Fortal, vi a seguinte frase no Facebook que inspirou esse post: "Domingo de fortal: o dia que separa os homensdos meninos.. só pra quem tem coragem". Sinceramente não entendi porque o domingo de Fortal separa os homens dos meninos, mas o meu melhor chute é que esse rapaz quis dizer que só os homens aguentam quatro dias seguidos de folia, enquanto os meninos param no terceiro.


Quer dizer, então, que ter coragem para aguentar o 4º dia consecutivo de festa te faz um homem? Quem pensa que isso é o que separa o homem de um menino, claramente revela que não tem absolutamente a menor idéia de o que é ser homem. Crescer nada tem a ver com a idade. É diferente de ficar velho. Não vejo nada contra a diversão em festas, mas tudo na vida deve ser levado com equilíbrio. Algumas pessoas, entretanto, têm o horizonte tão pequeno que conseguem fazer com que uma vida inteira, um universo inteiro seja resumido a festas, álcool e aparências. É como viver vagueando pelo mundo, sem rumo, sem saber exatamente para onde ir ou o que fazer. E o pior: acreditar que isso que é vida de verdade.

Pensando sobre isso, lembrei da Alegoria da Caverna, de Platão, ilustração que acho sensacional. Para quem não conhece, uma rápida explicação: a alegoria fala sobre homens que cresceram presos no interior de uma caverna, sem nunca conhecer o mundo exterior. Por trás desses homens, como a imagem abaixo ilustra, há um fogo que reproduz sobras na parede, criadas por homens que vivem no mundo de fora, guardando os prisioneiros. Para os prisioneiros, forçados a olhar apenas para essas sobras durante todas as suas vidas, aquilo que vêem projetado no fundo da caverna representa a realidade.

Certo dia um dos prisioneiros é levado ao lado de fora da caverna, sendo forçado a observar o mundo real e passando a descobrir que o que julgava ser o mundo era apenas a projeção, pequenas sombras, da realidade em si, a qual era muito mais completa e complexa do que sua mente outrora pequena poderia imaginar.

A alegoria continua:

"Sócrates - E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?


Glauco - Com toda acerteza.

Sócrates - E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco - Não oconseguirá, pelo menos de início."


Certamente o processo de enxergar a realidade é doloroso e difícil, principalmente se a realidade é mais feia do que imaginamos. Por isso, muitas vezes, mesmo conhecendo o mundo e constantemente recebendo notícias de guerras externas, barbaridades humanas, fome, pobreza e injustiça, preferimos não forçar os nossos olhos para se adaptarem à realidade.

Por essa razão, muitos buscam a comodidade do mundinho que acreditam ser a realidade, simplesmente porque é mais confortável. Preferem acreditar que a vida é uma grande festa, inconscientemente fingindo que tais tragédias acontecem apenas nas manchetes de jornais e que não há vidas sofrendo nesse exato instante. Mesmo sabendo que há um mundo inteiro lá fora, alguns se trancam nos seus horizontes pequenos, no fundo de suas cavernas, porque seus olhos já estão acostumados a enxergar pouco. Não há quem os force a enxergar a realidade.


Vivemos em uma constante situação como a descrita por Platão, pois a realidade nunca nos vem de uma vez só. Estamos em constante processo de libertação e devemos buscar sempre forçar os nossos olhos a enxergar a luz, por mais que doa no início, pois não há como mudar o que nos incomoda sem, primeiro, enxergarmos a realidade.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Mensagem aos Jovens de Fortaleza.

Há alguns meses atrás eu estive envolvido no manifesto #ForaLuizianne, aquele que começou na internet por meio do @Tarsis_Rocha. Lembro que a situação da cidade já estava inaceitável há muito tempo, e levando minha revolta e espírito de mudança, compareci a reuniões, conheci gente que nunca tinha visto na vida, dei minhas ideias e contribui ao máximo. Distribuí panfletos na rua, colei adesivos, conversei com quem não estava consciente do que estava acontecendo e no dia da manifestação fui o primeiro a chegar.

Mais de 10 mil pessoas aceitaram participar no Facebook e menos de 300 compareceram, cidadãos de verdade que deixaram seu cotidiano e passaram horas embaixo do sol fazendo barulho e se manifestando contra a medíocre prefeita. Fiquei decepcionado com a inocência dos jovens da capital, principalmente aqueles que acreditaram que era uma brincadeira. Simplesmente não foram e ainda tiveram coragem de ridicularizar o movimento de cidadãos honestos que depositaram tempo e energia numa nobre ação de reinvidicação de seus direitos. Onde está essa energia? A vontade de ver as coisas mudando? A defesa de sua dignidade? Será que vocês não vão cansar de serem humilhados? Não vão resolver sair do computador e ir para as ruas?

Meus amigos, vocês estão esperando o que? Vocês acham que o crescimento econômico brasileiro vai fazer com que a política se resolva naturalmente? Sinto informar que não é assim que funciona. Nós temos que agir, temos que lutar, olhem para 2011, para os egípcios que foram a batalha e chegaram aos seus objetivos depois de décadas de repressão. Cadê o orgulho do Fortalezense, do Cearense? Você garotinho de 18 anos que pega a Hilux do pai e coloca música alta sem respeitar ninguém, por que não leva o carro do papai, coloca um microfone e passa o dia fazendo barulho no Palácio da Abolição ou no Paço Municipal?

O PIB do Brasil acaba de superar o britânico e você não tem educação que preste, saúde em que se possa confiar, a segurança é uma palhaçada, a cidade cresce como uma bolha sem a mínima estrutura, entre as outras milhões de lástimas que já cansamos de reclamar. Sabe onde está o dinheiro? Está lá bloqueado pelos seres que vocês elegem, e eles estão satisfeitos com isso. Agora sabe o que eu penso desta greve dos policiais? Eu acho ótimo, pois ainda sonho no dia que vocês sairão das redes sociais e ocuparão as ruas para retomar o que os pertence. Quem sabe com algumas vidas sacrificadas o lado de revolta finalmente será desperto e finalmente teremos jovens de atitudes nesta cidade.

Enquanto vocês continuarem nesse joguinho de menino chorão, vão continuar tomando ferro, pegando ônibus lotado, sendo assaltados, sendo mal atendidos por médicos insatisfeitos, ficando presos no engarrafamento, pagando multa eletrônica sem cabimento, vendo seus pais sofrendo para pagar centenas de reais todos os dias por uma escola ou faculdade de qualidade etc. Vão em frente, finjam que está tudo bem, vão empurrando com a barriga até onde dá, bando de preguiçosos e medrosos. Estejam certos que um dia não vai dar mais para suportar, um dia você que está lendo essas palavras vai sentir tanta revolta que deixará sua casa e irá, nem que seja sozinho, manifestar-se de alguma forma, porém não mais pela internet. A escolha é sua, lute ou continue sendo pisado.

Sugestão: Inspirem-se nos protestos que estão acontecendo no mundo inteiro baseado no #OccupyWallStreet e pensem na criação do #OccupyFortaleza, várias grandes cidades do Brasil já participam. Espalhe esta mensagem!