sábado, 14 de março de 2015

Do Socialismo ao Liberalismo.

James Watt
Inventou o motor a vapor atravéns de seus anseios
individuais e constribuiu mais para a humanidade
do que qualquer socialista ou burocrata.
Estive pensando e já há algum tempo gostaria de escrever sobre minha drástica mudança de viés ideológico na área da política e da economia. Muito me faz refletir o fato de hoje defender algo que há cerca de dois anos eu iria considerar abominável e retrógrado. Faz-se necessária uma análise cronológica de como os eventos evoluíram a este ponto. Hoje me considero um liberal (embora simpatize com o conservadorismo em alguns aspectos), defensor do estado mínimo, em favor do livre mercado, da ênfase no indivíduo e no voluntarismo, partindo do pressuposto de que quanto menos paternalismo de uma classe superior (estado), mais responsáveis são os indivíduos e os grupos sociais para que sejam protagonistas de suas próprias ascensões, conquistando um sentimento de independência que tende a se solidificar de acordo com o aumento da liberdade. A esperança do progresso com base no apadrinhamento do estado torna a vida humana uma experiência de responsabilidades vagas e confusas, além de uma coletivização que pouco tem a ver com solidariedade ou fraternidade, e sim com dominação e imposição de determinadas ideias sobre seres-humanos que em partes foram desqualificados de individualidade.

Pois bem, meu interesse por política começou a se manifestar quando adolescente, porém meu conhecimento era quase nulo, hoje considero que sei pouco, mas sei bem mais que naquela época. Meio que por um comportamento natural eu gostava da ideia do capitalismo, aquilo parecia fascinante, o progresso operado pela civilização nos últimos séculos soava para mim como uma experiência vitoriosa e irrefutável, hoje considero que esse meu instinto da adolescência estava correto, e que o liberalismo já devia fazer parte de meu passado (para quem acredita no espiritismo e na reencarnação). Porém essa minha atração pelo capitalismo, mesmo não tendo sido tão beneficiado por ele desde um determinado período da minha vida, não se alongava a uma verdadeira posição política, era apenas uma admiração do mundo assim como ele é, acreditando que tudo estava em progresso e que a família da favela, mais cedo ou mais tarde, seria agraciada pela ordem natural das coisas, conhecendo assim o conforto e a fartura assim que sua vez chegasse e seu mérito laboral fosse recompensado.

O tempo passou e entrei na Universidade, primeiramente em Filosofia, apenas por um semestre, e por seguinte em Jornalismo, onde permaneci por dois semestres. Este período de um ano e meio eu considero como o meu início no pensamento e posicionamento político mais atuante, porém confesso que este cenário era bem vago e pouco direcionado com precisão, mas todo começo é assim. De certa forma ainda simpatizava com o capitalismo, porém notava o início do desenvolvimento de uma mente de esquerda, tempo esse que tinha simpatia pelo PSOL, por exemplo. Vale ressaltar que este ambiente acadêmico que frequentei era um antro da esquerda, inclusive até hoje ainda tento entender a força massacrante que este viés ideológico possui no campo da Comunicação Social. Minha professora de Sociologia assumia em sala de aula que era Marxista, estudávamos o Manifesto Comunista como uma bíblia, e lembro até que ela exibiu aquele filme sobre a revolução industrial que retrata a luta de classes e a exploração ao proletariado, e isso numa Universidade privada que pertence a um grupo industrial, melhor nem pensar no que acontece nas salas de aula das “públicas”.

Mas por incrível que pareça, essa convivência não me colocou em sintonia com o esquerdista way of life. Eu apenas acreditava em quase tudo que os esquerdistas diziam, mas ainda tinha meu grande respeito pelo mercado e à livre iniciativa, isso me colocaria, talvez, na posição de um Social Democrata. Neste momento eu acredito que entrei na sintonia do perfil “geral” da juventude da classe média brasileira, ou seja, Sociais Democratas que votam em partidos Socialistas porque simplesmente a esquerda conseguiu transformar o PSDB num símbolo da “direita opressora”. O que percebo é que esses amigos que votam no PT, PSOL etc, geralmente anseiam tudo que o PSDB defende, um sistema bem parecido com o Europeu, mas como disse, o PSDB virou o lobo mal, isso confirma a tese da força e do poder que esses professores e comunicadores da esquerda possuem quando escolhem um inimigo.

Após este um ano e meio fui para a Escócia trabalhar como voluntário em uma comunidade para pessoas especiais. Foi neste ambiente que eu dividia meu tempo entre praticar a caridade e amadurecer meu posicionamento político. Durante esta vida em comunidade assimilei tudo que a esquerda “do bem” sustenta. Elevei aquele estilo de vida a um estado utópico, enxergando ali o máximo da virtude e da benevolência, comecei a criticar o capitalismo e procurar por suas falhas, demonizei o materialismo e investiguei o que deveria ser feito para tornar o mundo melhor. Assimilei todos os mitos econômicos que a esquerda adora pregar e comecei a abraçar teorias utópicas de um mundo rico, lindo e sem sofrimento. Foi um processo de esquerdização avassalador, o comunismo e o socialismo eram fontes de esperança e a solução para a maior parte dos problemas sociais que eu observava. Você já viu esquerdista que não tenha uma resposta para tudo? É assim que funciona, os caras não dão o braço a torcer, acham que a vida e a existência são uma receita de bolo e que o capitalismo é a fonte de toda miséria, pura falácia! Hoje noto o tamanho de minha ingenuidade ao perceber que a comunidade exemplar onde trabalhei era sustentada em grande parte pelo setor privado, fundações, doações etc, e aquele lugar só consegue se manter com os recursos conquistados pelo capitalismo, ao contrário não passaria de uma comunidade capenga e totalmente insegura economicamente.

O que me chama atenção desse tempo passado é que mesmo com toda essa vivência ideológica, aquela imagem da foice e do martelo sempre foi um motivo de certa repulsa para meus olhos, por mais que eu acreditasse em grande parte da teoria, os símbolos da ideologia me causavam um pouco de desconfiança e um sentimento de autoritarismo, e não de libertação. Isso eu considero mais uma reação inconsciente das minhas verdadeiras e mais íntimas convicções ideológicas que mais tarde iriam, felizmente, despertar. Saliento que esse estilo de vida me fez pisar no freio profissionalmente, ajustar-me ao sistema capitalista explorador não era tão importante, assim perdi tempo e hoje corro atrás para me recuperar, mas não me arrependo, nada é por acaso e experiências são preciosas.

Barão de Mauá
Um patriota traído por querer transformar
seu país em uma potência.
Lembro-me que no auge de minha esquerdice eu aparentava ser uma pessoa super humana e benevolente, mas por dentro guardava o rancor autoritário da ideologia, assim como a prepotência de querer que os outros acreditassem no que eu acredito (muito comum entre os camaradas, principalmente os que se acham mais inteligentes). Julgava-me acima dos manipulados do sistema de consumo, aqueles pobres seres infelizes que não sabiam achar a felicidade nas coisas simples da vida. Tornei-me a típica figura esquerdista, um cara do bem que transformou seu desejo de mudar o mundo em um autoritarismo branco. Hoje eu agradeço muito por ter vivido isso, pois agora minhas convicções do outro lado são muito mais fortes. Esquerdista com papinho humanitário e virtuoso não me engana mais, a vida é um grande trade-off e toda intervenção social terá seu lado negativo, um líder deve transformar seu sentimento humanitário em uma verdadeira ação pragmática e meticulosa no momento de planejar e tomar decisões, caso contrário cairá na ilusão do curto prazo e as consequências serão piores.

Agora as coisas começam a ficar legais. Depois desta experiência no exterior, decidi estudar Comércio Exterior, imagina só, um esquerdista estudando business. Mas tudo bem, estudar Comex e Economia não me rebaixaria ao nível de capitalistas materialistas, eu poderia trabalhar para o estado, fazer algo humanitário, trabalhar em ONGs etc. Logo no primeiro semestre, ao estudar Introdução à Economia, entrei em estado de fascinação, as aulas eram um banho de lógica que poucos esquerdistas têm acesso (a maioria nunca abriu um livro de Economia, ou melhor, a maioria nem leu o Manifesto Comunista, só vão na onda), comecei a me divertir e me encontrei naquele campo do conhecimento. Economia é o máximo (apesar das minhas limitações matemáticas devido ao trauma dos conteúdos que o governo nos manda estudar no ensino médio). As semanas passavam e eu gostava daquilo cada vez mais. Porém eu ainda era esquerdista e queria usar este conhecimento para combater a pobreza e fazer algo bom pelo mundo que não convivesse com esse egoísmo capitalista, oh yeah, let’s fight the 1%!

Eis que nos aproximamos do grande momento. Certo dia vi um post ou comentário de um colega da faculdade em algum lugar das redes sociais, ele, de uma maneira que nunca vi antes, defendia a “privatização de tudo”! Heim?! Privatização de tudo? Você só pode tá brincando com a minha cara. Claro que eu nunca iria concordar com aquele cara, imagina só, num mundo tão desigual e injusto você querer viver só do privado, que coisa maluca. Mas aquilo ficou na minha cabeça, e martelava e martelava, até que pensei: “Bem, eu não concordo de jeito nenhum, mas eu deveria ouvir o outro lado, não? Se um cara instruído defende uma hipótese dessas, deve haver algo que faça sentido por trás, ou será que esses liberais são seres do mal que não querem um mundo melhor? Não faria sentido.” Eis que o esquerdopata resolveu ser humilde e conhecer outras ideias.

Comecei a procurar materiais sobre privatizações e economia liberal, até que cruzei com um artigo do Instituto Ludwig von Mises Brasil, eu não lembro que artigo vi, mas era o tipo de coisa que qualquer esquerdista cuspiria em cima e nem acreditaria que alguém defenderia algo daquele tipo. Mas eu comecei a ler, e fui lendo, e quanto mais eu lia, mais queria novos artigos, aquilo foi sendo assimilado por mim de uma maneira impressionante, aquele absurdo estava fazendo sentido na minha cabeça, pouco a pouco minha mente utópica foi puxada para a realidade e me fez entender o contexto social de uma forma completamente diferente. O capitalismo não era esse demônio, era algo natural e benéfico, a lógica era perfeita e ao mesmo tempo não garantia sucesso absoluto. Era como a vida, cheia de riscos e aventuras, porém muito estimulante e convidativa a um constante melhoramento individual e cooperativo. Fiz questão de derrubar vários mitos, como a devastação da natureza, o acúmulo de riqueza, a existência da desigualdade, e a melhor parte, as reais razões da pobreza que assola nosso país, a África e tantos outros. Por momentos fiquei espantado ao perceber como a esquerdice me socou em outro mundo.

Desde então não parei, li alguns livros e concluí que eu estava no mundo da lua defendendo a utopia socialista que sempre acabava em tragédia. Porém não virei seguidor de Mises, sou a favor de um estado e não gosto do radicalismo, porém acredito em algo que o Brasil nunca experimentou, que é o liberalismo econômico. É claro que tento sempre melhorar meu ponto de vista, mas uma coisa é certa, vejo muito mais sentido no que acredito hoje do que o que defendi anteriormente. Mais do que mero conhecimento político-econômico, o liberalismo me deu a maior lição de moral da minha vida, e que sou muito grato, que é: você nunca está certo, somos todos diferentes, a vida é complicada, o que você acredita ser bom talvez não seja para outra pessoa, respeite a liberdade alheia, respeite o consumista e o minimalista, cada um vive o que quer e o que busca, você não é ninguém para julgar alguém, você nunca terá a fórmula da vida perfeita. Parece básico não é? Mas quando você está tomado por uma ideologia ou doutrina, lições básicas do bem viver podem se afastar, dando espaço para imposições autoritárias do que é certo e o que é "melhor" para todos.

Bem, hoje aceito a vida como ela é, foco em mim e ajudo os outros sempre que possível, sinto-me livre de uma ideologia que nos escraviza silenciosamente. Poderia ficar aqui escrevendo muito mais sobre esse assunto, mas chega por hoje. Fecho com um dos meus vídeos favoritos sobre o assunto aqui abordado, coisa curta:



quinta-feira, 5 de março de 2015

Voltarei.


Sabe aquela mala
Que com memórias deixei?
Guarde-a
Pois voltarei

Sabe aquele dia
Que sem temer acordei?
Nunca se esqueça
Pois voltarei

Sabe aqueles sonhos
De um reino e um rei
Relembre-os também
Pois logo eu voltarei

Se buscava um tesouro
E minha rota mudou
Descobri o velho plano
Que na gaveta ficou

Água é a vida
Água é o homem
No rio da jornada
Não há um dia sem fome

A água que corre
Não fica parada
Se houver impedimento
Será então ajuntada

E se o tempo passar
Mais forte será
Quando as comportas abrirem
Com poder passará

No mundo de Deus
Não há tempo perdido
A cada segundo 
O passado é vencido

Mas no mundo dos homens
A paciência é amiga
Pois logo lhe dirá
A razão desta vida