terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Perdoe-me a violência.

Não costumo ser assim, nem gosto de radicalismos, eis a postura que cega a razão e entorpece os sentidos. Mas os tempos não me permitiam outra posição. Bastava olhar de perto para ver que a situação era bem mais grave do que muitos diziam. Com economia não se brinca, vidas estavam em risco, e o trem já estava descarrilhado. Neste cenário, o justo deve se levantar, encher seus pulmões e brandar o óbvio, para que seus semelhantes despertem da inércia, antes que a situação se torne mais grave.

É ruim ver pessoas se afastando, é ruim ser mal interpretado. Vestir uma pele de cordeiro e dizer o que todos querem ouvir é uma escolha bem mais confortável, bem mais amena, e é por isso que muitos a adotam. Não é meu caso. O preço é alto, mas quero pagá-lo. Que minha imagem se perca, que todos me isolem, que a miséria despeje sobre mim sua aridez. Continuarei com a face levantada, crendo no que creio, e aguardando o descortinar da verdade.

Sei que parece arrogância, às vezes orgulho, mas o que é o maquinista tentando conter um trem descarrilhado se não um orgulhoso? Como diria Chesterton: suficiente humilde para espantar-se e suficiente orgulhoso para desafiar. Quem é brando demais, acaba na mão do implacável. Um toque de orgulho não é só bom, é necessário, preserva a existência e nos mantém vigilantes. Levante sua bandeira, ou siga a bandeira alheia.

Não obstante tudo há de ser moderado, e parece que já gastei muito do que tinha, preciso de uma pausa para arejar as idéias, para juntar os fragmentos, enxergar o que levarei e o que descartarei. Fazer o bom e velho balanço, conter a anarquia das paixões. É hora de lapidar, deixá-los em paz, e peço compreensão, pelos excessos daqui e dali. Não era maldade, talvez um pouco de desespero, mas não fui um incauto, fui sincero, fui honesto.

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